Ah, povo meu, quantas vezes acreditaste,
Quantas vezes, nosso hino entoaste;
Na espera de um novo Brasil!
Quantas vezes, nas praças gritaste,
Quantas vezes, o Pavilhão, hasteaste!
Quantas vezes? Cem, duzentos, mil?

Ah, povo altivo, viril, destemido,
Há quanto tempo tu és oprimido,
Enganado por homens sem alma?
Ah, povo santo que ante a tortura,
Não reage e antes procura
No trabalho, manter sua calma!

Ah, povo crédulo que procura mudanças,
Que vai longe em suas andanças
Na espera que alguém se apresente.
Não importa seja "mocinho" ou "bandido",
Mas alguém valente, destemido,
Que possa transformar essa terra da gente!

Ah, povo heróico, quantas vezes, a esperança.
Atingiu-te e tornaste criança
À espera de um "papai Noel".
Ah, casta honrada de patrícios meus.
Com certeza lá no alto o bom Deus
Fará desta terra, um "pedacinho do céu!"!

Ah, povo misto de todas as raças,
Tão atingido por ardis e trapaças,
Cuja esperança ainda não morreu!
Pode surgir em qualquer "de repente"
Alguém com coragem e sábio de mente
Honrando o mandato que o povo lhe deu!

Luiz Gonzaga da Silva



AH! POVO MEU!